Romênia, 1296
Esta noite parecia mais sombria que o habitual. Nuvens carregadas moviam-se no céu, ocultando a lua a maior parte do tempo, anunciando o temporal iminente. Era possível sentir o cheiro de terra úmida, que normalmente prenunciava a força da mãe natureza. Nada mais se ouvia além do agitar das folhas e galhos e o silvo do vento, formando um cenário estranho, como braços querendo enlaçar alguma coisa. Ao longe, uma coruja piou. Logo um som leve, mas insistente tornou-se perceptível. Alguém caminhava, os galhos secos estalando a cada passo, que apesar de cuidadoso, era apressado. Uma criatura espreitava a moça que caminhava pela floresta. Suas narinas dilatavam-se mais a medida em que se aproximava, furtivamente, sem ser notada. Podia sentir o cheiro do sangue fresco e tentava antecipar mentalmente o prazer de sugá-lo completamente, até secar as veias pulsantes. Só mais alguns instantes. A criatura não tinha pressa. O momento teria que ser perfeito. A presa passou e ela atacou. Imobilizá-la mediante a surpresa foi tarefa fácil, cravar os dentes no pescoço alvo e delicado, um prazer inimaginável. A criatura não saberia descrever a sensação. O júbilo do sucesso associado ao prazer físico era algo forte demais até mesmo para ela. Quando terminou, estava saciada. Uma paz de espírito e um deleite luxuriante envolveu-a com a sombra da noite. Passados uns minutos, o prazer sumiu. Somente uma sensação de vazio persistia e um breve arrependimento era tudo o que lhe restava. A criatura gritou. Um som horrendo, saindo da alma de alguém mortificado e desesperado. Repleto de amargura, tristeza e dor. Olhou ao redor. Seu olfato não sentiu nenhum odor de outro humano ou de qualquer animal próximo. O Conde olhou a vítima prostrada, sem cor e sem vida e seguiu seu caminho.
São Paulo, dias atuais
Ana acabava de entrar em sua sala no Jornal Extra Paulistano de São Paulo no décimo andar de um prédio da Av. Faria Lima. Não estava em um de seus melhores dias. Antes de chegar ao trabalho, inúmeros contratempos haviam acontecido sucessivamente e o dia ainda estava começando. Deixara as torradas queimarem, pisara no rabo de seu gato, derramara café em sua camisa quando já estava quase pronta para sair, sendo que a substituição da blusa fizera com que perdesse a hora. Como se não bastasse, o dia chuvoso arruinara completamente o penteado que se esmerara em fazer antes de sair. O que mais o dia lhe reservara?
- Droga! - Disse ao ver o bilhete sobre sua mesa.
Correu ao banheiro feminino para tentar ajeitar um pouco os cabelos e a aparência no geral antes de encontrar-se com seu chefe. Trabalhava no jornal há dois anos. Entrara como assistente e em pouco tempo, conseguira sua própria coluna no caderno de Variedades. Adorava escrever sobre eventos culturais, pois amava arte em geral e sempre encontrava um assunto ligado a teatro, exposições, literatura, cinema, para entreter seus leitores. O jeito jovial e despretensioso lhe rendera dois prêmios e a simpatia de todas as classes que liam o Extra Paulistano. Amava artes em geral e era uma devoradora de livros. Sua biblioteca particular era um de seus maiores orgulhos. Seus livros, alguns raros, eram fruto de um tempo dedicado aos sebos, às livrarias, pesquisando e adquirindo obras dos mais variados autores e gêneros. Amava cada minuto que passava nas várias lojas no centro da cidade adquirindo suas preciosidades.
Esta noite parecia mais sombria que o habitual. Nuvens carregadas moviam-se no céu, ocultando a lua a maior parte do tempo, anunciando o temporal iminente. Era possível sentir o cheiro de terra úmida, que normalmente prenunciava a força da mãe natureza. Nada mais se ouvia além do agitar das folhas e galhos e o silvo do vento, formando um cenário estranho, como braços querendo enlaçar alguma coisa. Ao longe, uma coruja piou. Logo um som leve, mas insistente tornou-se perceptível. Alguém caminhava, os galhos secos estalando a cada passo, que apesar de cuidadoso, era apressado. Uma criatura espreitava a moça que caminhava pela floresta. Suas narinas dilatavam-se mais a medida em que se aproximava, furtivamente, sem ser notada. Podia sentir o cheiro do sangue fresco e tentava antecipar mentalmente o prazer de sugá-lo completamente, até secar as veias pulsantes. Só mais alguns instantes. A criatura não tinha pressa. O momento teria que ser perfeito. A presa passou e ela atacou. Imobilizá-la mediante a surpresa foi tarefa fácil, cravar os dentes no pescoço alvo e delicado, um prazer inimaginável. A criatura não saberia descrever a sensação. O júbilo do sucesso associado ao prazer físico era algo forte demais até mesmo para ela. Quando terminou, estava saciada. Uma paz de espírito e um deleite luxuriante envolveu-a com a sombra da noite. Passados uns minutos, o prazer sumiu. Somente uma sensação de vazio persistia e um breve arrependimento era tudo o que lhe restava. A criatura gritou. Um som horrendo, saindo da alma de alguém mortificado e desesperado. Repleto de amargura, tristeza e dor. Olhou ao redor. Seu olfato não sentiu nenhum odor de outro humano ou de qualquer animal próximo. O Conde olhou a vítima prostrada, sem cor e sem vida e seguiu seu caminho.
São Paulo, dias atuais
Ana acabava de entrar em sua sala no Jornal Extra Paulistano de São Paulo no décimo andar de um prédio da Av. Faria Lima. Não estava em um de seus melhores dias. Antes de chegar ao trabalho, inúmeros contratempos haviam acontecido sucessivamente e o dia ainda estava começando. Deixara as torradas queimarem, pisara no rabo de seu gato, derramara café em sua camisa quando já estava quase pronta para sair, sendo que a substituição da blusa fizera com que perdesse a hora. Como se não bastasse, o dia chuvoso arruinara completamente o penteado que se esmerara em fazer antes de sair. O que mais o dia lhe reservara?
- Droga! - Disse ao ver o bilhete sobre sua mesa.
Correu ao banheiro feminino para tentar ajeitar um pouco os cabelos e a aparência no geral antes de encontrar-se com seu chefe. Trabalhava no jornal há dois anos. Entrara como assistente e em pouco tempo, conseguira sua própria coluna no caderno de Variedades. Adorava escrever sobre eventos culturais, pois amava arte em geral e sempre encontrava um assunto ligado a teatro, exposições, literatura, cinema, para entreter seus leitores. O jeito jovial e despretensioso lhe rendera dois prêmios e a simpatia de todas as classes que liam o Extra Paulistano. Amava artes em geral e era uma devoradora de livros. Sua biblioteca particular era um de seus maiores orgulhos. Seus livros, alguns raros, eram fruto de um tempo dedicado aos sebos, às livrarias, pesquisando e adquirindo obras dos mais variados autores e gêneros. Amava cada minuto que passava nas várias lojas no centro da cidade adquirindo suas preciosidades.
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