- É um prazer conhecê-lo, Ivan. - Ana olhou para a sobrinha com um sorriso. - Então vamos, querida? Tenho certeza de que tem muitas coisas para me contar. - Depois olhou rapidamente para Ivan e abriu a bolsa para procurar o cartão do estacionamento. - Vocês precisam de carona? Quer que os deixe em algum lugar?
Ivan sorriu, sentindo o embaraço injustificado dela.
- Agradeço a oferta, mas um motorista vem nos buscar e já deve estar nos esperando. Estaremos hospedados nos Jardins e se não se importar, gostaria de entrar em contato amanhã ou depois para marcarmos um jantar. Poderia fazer a gentileza de apresentar a mim e meu sobrinho os bons restaurantes da noite paulistana.
Ana sentiu-se constrangida. Se dissesse não, poderia parecer descortês. De alguma forma, aquele homem a perturbava e não estava a fim de descobrir porquê, mas estava em uma saia justa. É claro que a sobrinha encontraria o namorado. A ela, não restava ter que aguentar algumas horas com o tio.
- Tudo bem. Creio que Alex deve ter o número... Mas espere! - Remexeu de novo na bolsa e encontrou um cartão, entregando-o a Ivan. Pode me encontrar no celular. - E pegando no braço de Elen. - Boa noite e nos vemos em breve.
Ivan balançou o cartão.
- Estarei ansioso. Boa noite Ana. Boa noite Elen.
Ana andava apressada e Elen reclamou. Só queria sair dali o mais rápido possível. E tinha que ter uma conversa longa com a sobrinha. Agora entendia porque ela quisera vir a São Paulo primeiro e não para a casa dos pais. Quando estavam dentro do carro, Ana deu a partida sem dizer uma palavra. Quando já estavam na estrada, sentido São Paulo, Ana olhou de relance para o carona.
- Quando vai começar a me dar explicações? - Foi a pergunta direta que fez.
- Tia... - Elen choramingou.
- Elen, sua mãe vai me matar quando souber desta história, pois ela me ligou pedindo que tirasse de sua cabeça a idéia de ficar aqui. Defendi dizendo que não tinha importância. Agora me diga: como vamos explicar a sua mâe que o motivo de querer ficar aqui é porque trouxe um namorado a tiracolo?
Elen suspirou. Sabia que enfrentaria algo assim. E preferia mil vezes que fosse com sua tia, do que com sua mãe.
- Tia... Pedi para vir para cá antes de saber que Alex viria. Ivan decidiu de última hora e Alex quis acompanhá-lo. Ele viria de qualquer forma e quis me acompanhar. Juro tia! Estávamos em sua casa no final de semana conversando depois do jantar e estava falando de você, do seu trabalho e mostrei uma foto sua no meu laptop. Ele disse que viria no mesmo vôo que eu e Alex decidiu que também viria...
- Está dizendo a verdade?
- Sim, tia.
Ana acreditou. Não havia motivos para desconfiar de Elen, que sempre lhe dissera tudo o que pensava e que lhe vinha a cabeça. Inclusive nunca tivera reservas para conversar com ela sobre qualquer assunto.
- Bem... Está com fome?
- Muita!
- Então vamos parar em algum lugar e comer algo. Amanhã, depois que tiver descansado um pouco, conversaremos sobre este assunto.
Ivan e Alex entraram no carro escuro luxuoso que os aguardava em frente a plataforma de desembarque. Ivan relutara em vir ao Brasil, mas depois de ver a foto da tia da namorada do sobrinho, não pensou mais em nada. De alguma forma, sabia que tinha de protegê-la, cuidar dela e não sabia por onde começar. A idéia de abrir uma filial de sua empresa no país não era má, já que era do conhecimento de toda a Europa a franca expansão e estabilidade da economia brasileira. Por que não investir? Mas o motivo principal era aquela morena de cabelos longos e olhos amendoados.
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