Olhou o relógio rapidamente. Eram quase nove horas da manhã. Ana correu para a sala do editor chefe, esperando levar um puxão de orelhas pelo atraso. Porém, surpreendeu-se ao ver que ele estava de bom humor e pronto para sair.
- Ana! Que bom que poderemos falar antes que eu saia. Preciso de uma de suas geniais matérias para publicar ainda este mês. Escolha o tema que quiser... Qualquer um! Gostaria de ter novamente um jornalista premiado. Mas saiba que pedi o mesmo a toda equipe... Portanto, o esforço será em dobro.
Ana sorriu. Prêmios aos jornalistas rendiam mais vendas, mais leitores, obviamente mais dinheiro.
- É claro Paulo! Pode deixar comigo. Vou arrasar!
Ana pensou que na verdade não estava muito certa disso. Escrever era pura inspiração e mesmo que tivesse um bom tema, o que ainda não tinha, não significava que apenas isso bastasse para uma grande matéria. Era mais do que isso. Escrever exigia as palavras certas nos momentos exatos para prender o leitor. E ultimamente a inspiração a havia abandonado. Talvez porque seus dias não estivessem sendo muito alegres ultimamente.
A hora do almoço chegou depressa. Ana andava pela calçada observando o trânsito do meio do dia. Esta cidade nunca parava. Carros e motos por todos os lados em uma luta desenfreada por espaço e por chegar primeiro. Ana já havia feito uma matéria sobre o assunto quando cobriu um jornalista em férias. Os brasileiros insistiam em usar seus carros como armas. Logo chegou ao restaurante por quilo que ficava próximo ao Jornal, onde sempre almoçava quando estava no escritório e não na rua, procurando temas. Este dia, apesar de ter iniciado um pouco conturbado, era especial. Ana iria até o aeroporto de Cumbica buscar sua sobrinha Elen que chegaria da França dali algumas horas. A garota de dezessete anos passara um ano estudando no país e insistira em ficar com ela antes de seguir viagem para a casa dos pais no interior do estado, em Ribeirão Preto. Sua irmã Amélia e seu cunhado Pedro haviam se mudado quando ele fora transferido pela empresa em que trabalhava. O cargo dele era alto e o salário excepcionalmente bom. Por isso conseguira enviar a filha para a Europa.
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